sábado, 24 de julho de 2010

Aquele rapaz, deslocando o eixo,
Por meio de esforço monumental,
Quebra as duas asas, de norte a sul,
E então, articula um plano:
Se encontra com o piloto,
E dá de frente com a brasília.

domingo, 20 de junho de 2010

é...

...é assim mesmo...
Se ele continua a seguir, segue (quase) sem rumo.
Sem futuro, sem projeção, sem ímpeto... só seguindo.
Se resolve parar, descobre que o mundo é uma bosta.
Que parado, aquela bosta vai feder cada dia mais e mais!
Se oscila, sua loucura toma de conta,
Assustando os desavisados ao redor.
A pornografia desse cotidiano fode a vida!
E no meio dessa sacanagem toda, observar é a melhor opção.
Assistir cada detalhe, cada processo, sem interferir, sem interromper...
Só assistir! De cima.
Esperando que nem me notem quando partir.

Kalil Alencar - 20/06 - 23:42








P.S.: Me espere na janela do seu quarto. Passo voando pra te buscar!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Nós te agradecemos mundo, por ser.
Nós te agradecemos, por ser dançarino infinito e eterno.
Nós te agradecemos porque danças o teu Caos,
que chegou até nós sob a aparência do Cavalo do Absurdo,
te agradecemos pelo fato de que (freando teu Caos)
Podemos esculpir nós mesmos, a nossa liberdade.
Nós te agradecemos porque danças a tua ordem:
a ordem de tuas leis e a ordem da nossa mente,
que é capaz de compreender as tuas leis; (...)
Nós te agradecemos, mundo,
pois possuímos a consciência que nos permite vencer a morte:
compreender a nossa eternidade na tua eternidade.
E porque o amor nisso é mestre, abecedário.
Te agradecemos por não sermos separados de ti, por sermos tu,
porque justamente em nós atinges a consciência de ti, o despertar.
Nós te agradecemos, mundo, por ser.

Invocação para o espetáculo Orfeu

terça-feira, 8 de junho de 2010

De Cabeça

Diante do amor,
sempre mergulho,
mesmo quando sai ferido meu orgulho,
já que nem sempre a exibição agrada.
É que às vezes esperam de mim um belo salto,
e eu só consigo cair de barriga...

Leila Miccolis

segunda-feira, 24 de maio de 2010

22 eram os caminhos.
Andados e bordados à ferro e fogo.
Conhecidos, agora não diziam mais nada...
Infligiam seu corpo, de diversas forma...
Mas seu espírito, mesmo no desalento,
abre brechas entre todos e segue, sozinho...

"Não tenho quem me proteja...
Somente o amor...
Se isso acabar, estou acabado, solto."


Aquele que o acompanha se mostra estranho.
Ainda não foram apresentados.
Tornaria mais fácil... para ambos.
Se falam aqui e alí, porém, sem se conhecer.
Uma irmandade de mudos faladores!

"Ei, você! Se pode me ouvir, responda!
Não aguento mais essa solidão...
é confortável demais."

Outro tombo. Entre os vários que já tomou.
O outro nem o toca, nem ajuda.
Parece assistir, com alegria, o campanheiro se levantar.
Esperando pra seguir viagem.

"Um caminho sem fim, só de ida.
Pausado, corrido, com calma, mas seguido.
E por mais que se mostre longe, me lanço até o fim...
...esperando que seja eterno..."

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Toda mulher é um mistério a ser desvendado.
Ela nada esconde de seu verdadeiro amante.
A cor da sua pele pode nos indicar como proceder.
E como uma rosa, ela deve ser persuadida a se abrir com ardor, como se exposta ao sol.
A sutileza de sua pele exige a lascívia da onda batendo na praia, para despertar o interior e trazer à tona as espumosas delícias do amor.

Embora não haja metáfora que descreva como é amar uma mulher, eu diria que é como tocar um instrumento raro. Será que um Stradivarius sente o mesmo que o violinista que consegue tirar a nota perfeita de seu coração?

Todo amante sabe que o momento de prazer vem quando o êxtase há muito terminou e ele tem diante de si a flor que desabrochou ao seu toque.

Don Juan de Marco

sábado, 16 de janeiro de 2010

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Esferas entre ramas se desintegram, dando forma ao culto das orquídeas errantes, enraivecendo o suor que escorre nos cabelos da nêga.

O crepúsculo chama com seu tom grave. Favorece o vôo impróprio e constante, cortante, sobre as nuvens, propagado pelo reflexo do seu ser sobre as manchas do galhardo, repleto de outros vôos.

Engatinhando, agonizando aos poucos, ele desfere suas últimas palavras, a caneta já tremula em sua mão. Um soluço lhe falta e engasga sua face no resto de sabor que ainda lhe resta.

Supera, meu amigo! Junta os pedaços e supera. Chora, se possível... Esperneia, pira, espera... e supera. Em contato, conta com o encanto de um canto descontente, descontando castigos na carcaça... e desconhecendo... Assim se supera mais rápido!